12/11/2025
IV Colóquio de Filosofia e Teoria Social
Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, UFMG - Campus Pampulha (Belo Horizonte/MG)

O IV Colóquio de Filosofia e Teoria Social da UFMG, organizado pelo grupo Crítica e Dialética, está recebendo propostas de comunicação até o dia 5 de outubro de 2025. As comunicações selecionadas serão divulgadas no dia 15 de outubro de 2025.
O evento será presencial, e ocorrerá nos dias 12, 13 e 14 de novembro na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (FAFICH) da UFMG – Campus Pampulha (Belo Horizonte – MG).
Formulário para submissão de trabalhos: https://tinyurl.com/coloquiocritica
Clique aqui para consultar o edital completo do evento.
Para maiores informações, consulte o site do grupo Crítica e Dialética, ou contate a comissão organizadora via criticaedialetica@gmail.com.
Embora eu seja classificado como “filósofo”, eu me interesso pouco por filosofia. Meu interesse é pelo mundo. Assim como o interesse do astrônomo não é pela astronomia, mas pelas estrelas.
– Günther Anders
As disputas em torno do cânone da teoria crítica, assim como pelos critérios que lhe concedem legitimidade, possuem uma história quase tão longa e deram causa a quase tantas páginas escritas quanto a totalidade dos trabalhos de filosofia e teoria social daqueles autores aos quais o termo foi primeiramente atribuído. Desde sua primeira formulação por Max Horkheimer como uma teoria autorreflexiva e engajada com o processo da transformação da sociedade no sentido da abolição do capitalismo, a teoria crítica passou por diversas transformações, sempre como resposta às circunstâncias cambiantes da sociedade que ela toma como objeto. As suas inflexões documentam também as várias contendas em torno do seu método, definição e critérios de justificação.
Por outro lado, o debate contemporâneo vem sendo marcado por um conjunto de objeções que atestam, com argumentos mais ou menos razoáveis, a crescente falta de eficácia do discurso crítico. Diante dessa constatação, os seus porta-vozes frequentemente reagem de maneira resignada quando recuam diante do desafio posto pelo seu objeto, voltando-se seja à rememoração contemplativa da tradição, seja para o exercício metateórico que anseia por normas e critérios finalmente capazes de assegurar a validade epistêmica da teoria. Nem por isso respostas criativas e profícuas deixaram de ser oferecidas às crises contemporâneas por teóricas e teóricos que reivindicam para si essa herança intelectual.
Afinal, se é mesmo um dever da crítica que ela examine a si mesma, esse esforço só ganha coerência na medida em que permanece mediado pelo trabalho de apreensão imanente do seu objeto: o mundo social e os seus antagonismos, compreendidos seja como fatores de sobredeterminação para crises cada vez mais agônicas, seja como elementos estruturantes de um sistema social tão totalizante quanto permeado por fraturas por entre as quais é possível vislumbrar lances emancipatórios. A teoria crítica exige, para utilizar a feliz expressão de Adorno, uma imersão tanto no objeto da teoria quanto no objeto que é a teoria.
É partindo dessa convicção que o grupo Crítica e Dialética, à ocasião deste Colóquio de Filosofia e Teoria Social da UFMG, em sua quarta edição, convida pesquisadores e pesquisadoras para refletir acerca desta dupla exigência que se põe sobre toda a teoria social que se quer crítica. De um lado, as complexidades autoreflexivas da crítica, com as suas questões metodológicas, o problema da relação entre teoria e prática, e o papel do teórico e da teórica nos processos de transformação social; de outro lado, a elaboração consequente das múltiplas crises engendradas pelo capitalismo contemporâneo – o colapso climático, as novas formas de autoritarismo, o papel da tecnologia na dominação social, as questões emergentes que envolvem gênero, raça e sexualidade, além de outros tantos desafios que se impõem a uma tradição teórica fundamentalmente comprometida com a emancipação social.