14/12/2020

Nhe'enga a more quixotesco

Curitiba/Lisboa

Esta “novela” de D. da Costa-Cobra Leite joga o leitor, desde o título plurilíngue, num universo que só se pode definir como plural. Aliás, “definir” é palavra provavelmente inadequada para a experiência a que o texto convida, apostando na quebra de expectativas relacionadas com gêneros, registros e técnicas narrativas. Contando um episódio singelo, acontecido numa cidade posta na fronteira, mas cujos topônimos desenham um grande painel carnavalizado do Brasil, somos conduzidos por restos de fatos, sonhos, buscas e desconhecimentos que vão aos poucos conformando a trama. 

No fim e ao cabo, o que se encena é a desconstrução do próprio ato de narrar. Como explicita em determinado ponto a pergunta, que diz respeito a uma personagem, mas implica qualquer narrador – “O que há dentro dos narradores?”, – à qual sucede a resposta sem concessões: “Não há nada dentro de no?s, um vazio ardente prestes a eclodir, o silêncio estrutural da língua. É o som de um farfalhar e roçar, como um pássaro da noite empoleirado sem que se veja seu corpo, no meio da escuridão.” 

 

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