A formulação e o uso prático do Princípio de Razão Suficiente na obra Institutions de Physique de Du Châtelet
Bruno Martinez Tessele
Mestrando em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)
14/04/2026 • Coluna ANPOF
O princípio de razão suficiente (PRS) é um dos conceitos mais famigerados da filosofia setecentista. Autores como Leibniz e Wolff deram-lhe considerável atenção. O seu uso, contudo, não é exclusivo nem inaugurado por eles. O pré-platônico Anaximandro foi um dos primeiros a formulá-lo. Na sua tese sobre a estabilidade da Terra, o filósofo advoga a ausência de razões pelas quais o planeta deveria mover-se para uma ou outra direção, permanecendo, assim, no seu centro.[1] Percebe-se aí uma lógica interna de explicar a empiria: entender um fenômeno é, em primeiro lugar, conhecer as suas causas e, em segundo, dar boas razões para ele ser deste e não de outro modo. Tal é o uso implícito do PRS nas explicações a posteriori. É este ponto que Émilie du Châtelet, dialogando com os referidos alemães, investiga no capítulo I (§§ 4 a 11) de seu Institutions de Physique[2].
Pretendemos mostrar como Du Châtelet formula o PRS e o uso prático que lhe atribui. Como aporte teórico-comparativo, utilizaremos a noção de fundamento. Contrariando a matriz aristotélica e abonando a concepção leibniziana, Du Châtelet defende que o objetivo central do PRS é o de encontrar um fundamento das possibilidades, e não das necessidades. Por fim, examinaremos o papel que a filósofa atribuí às hipóteses na prática científica e como o PRS orienta o seu uso. Esperamos esclarecer a contribuição da autora no debate sobre o estatuto do PRS atinente ao conhecimento e à ciência, bem como o seu pioneirismo na teorização das hipóteses.
A gênese do PRS encontra-se nos conceitos de fundamento, causa e razão de ser, noções estas associadas.[3] Na metafísica aristotélica, o PRS opera no âmbito da necessidade, isto é, na razão de ser da substância. A razão de ser exprime o nexo necessário entre essência e coisa, e explica por que algo não pode ser diferente do que é. Leibniz, entretanto, direciona o PRS para o reino da possibilidade: seu objetivo é explicar por que uma coisa pode ser deste ou daquele modo. O PRS torna-se assim o fundamento das verdades contingentes, ao passo que o princípio de não contradição (PNC) mantém-se o fundamento das verdades necessárias. Du Châtelet segue ambos nesse ponto e vincula o PRS definitivamente à contingência, convertendo-o em critério epistêmico e metodológico das explicações científicas.
Ao princípio de não contradição[4] se atribui o fundamento de todas as verdades. Como afirma Du Châtelet, é
impossível negá-lo sem mentir à própria consciência, pois sentimos que não podemos forçar nosso espírito a admitir que uma coisa é e não é ao mesmo tempo, assim como não podemos não ter uma ideia enquanto a temos, nem ver um corpo branco como se fosse preto enquanto nós o vemos branco.[5]
Negá-lo consistiria em cair numa contradição performática: ao afirmar que o PNC é falso, afirma-se justamente aquilo que se pretende negar. Desse modo, Du Châtelet estabelece o PNC como condição sine qua non para toda e qualquer inteligibilidade.
Embora necessário e suficiente para as verdades necessárias, como as da matemática e da geometria, o PNC não satisfaz, contudo, as verdades contingentes. A correta validação epistêmica das verdades contingentes requer a postulação do PRS. Saímos agora do âmbito da necessidade, onde o PNC é suficiente, e entramos no âmbito da contingência.
O PRS é o axioma segundo o qual nada existe sem uma razão pela qual é assim e não de outro modo. Há dois aspectos nessa definição: I) ontológico, pois nada acontece sem uma causa ou um fundamento; e II) epistêmico, pois o espírito não pode admitir como verdadeiro aquilo que carece de justificação suficiente.[6] Eis o exemplo apresentado por Du Châtelet referente ao aspecto epistêmico da certeza empírica:
Estou certa, por exemplo, de que tudo está no meu quarto no estado em que o deixei, porque estou certa de que nenhuma pessoa entrou nele depois de eu ter saído; mas, se o princípio de razão suficiente não tem lugar, minha certeza se torna uma quimera, pois tudo poderia ter sido modificado em meu quarto sem que alguém capaz de o desarrumar tivesse entrado.[7]
A busca por certeza nos juízos empíricos é um ideal a ser alcançado. Sem o PRS, não conseguiríamos distinguir o verdadeiro do falso, e a nossa experiência tornar-se-ia caótica.
Imaginemos[8] um cenário em que o PRS não vigore. Uma pessoa volta ao quarto momentos depois e encontra a disposição dos móveis completamente alterada, sem indício de intervenção externa. Na falta de um fundamento etiológico para esse estado de coisas, seria impossível explicar por que o quarto está assim e não de outro modo. Os fenômenos perderiam seus nexos: não haveria nexo causal entre acontecimentos nem razões para que um fenômeno se apresente desta e não daquela maneira. Nesse cenário, estaríamos impedidos de justificar nossas explicações e causas aos fenômenos que experienciamos; o apelo à memória seria inútil, visto não haver elo entre passado e presente. Em suma, sem o PRS operando no real e nos juízos, a nossa experiência seria um ininteligível acaso, um absurdo.[9]
Mas Du Châtelet não limita o PRS à experiência ordinária. O PRS adquire uma dimensão metodológica ao orientar a elaboração de explicações científicas. Nestas, distinguem-se duas modulações: o entendimento de como algo ocorre, concernente ao mecanismo de um fenômeno; e o entendimento do porquê algo ocorre, relativo à justificação do mesmo.[10] Aqui, o PRS distingue-se do princípio causal nihil sine causa, tão recorrente na escolástica.
Seja na experiência ordinária, seja na investigação científica, o estatuto da certeza empírica jamais é apodítico. O PRS não confere certeza absoluta às verdades contingentes, pois isso aboliria a própria contingência; ele confere inteligibilidade. Poderíamos dizer que ele é um princípio primitivo que estrutura o entendimento humano ao lado do PNC.[11] Não obstante, Du Châtelet atribui às verdades contingentes um caráter probabilístico: obtemos a verdade de um fenômeno ao dispormos de boas razões para assim o conceber, embora possam surgir novas razões que o expliquem melhor. Daí o ensejo para a tematização das hipóteses.
Por hipótese, Du Châtelet entende aquelas
proposições prováveis que têm um grau maior ou menor de probabilidades caso elas satisfaçam a um número maior ou menor de circunstâncias que acompanham o fenômeno que queremos explicar por meio delas.[12]
Ou seja, hipóteses são inferências provisórias destinadas a dar razão a fenômenos observados. Na ciência, elas “preparam o caminho que leva à verdade”[13]. O cientista não deve alijá-las, mesmo quando posteriormente se revelem falsas. Dado que o conhecimento empírico não é apodítico e que o uso e o descarte de hipóteses são indispensáveis nas ciências positivas, Du Châtelet conclui que elas fazem parte do progresso científico, desde que sigam certos critérios lógicos e epistemológicos.[14]
O que torna uma hipótese cientificamente válida? Há duas regras para tal:
A primeira é que a hipótese não esteja em contradição com o princípio de razão suficiente, nem com quaisquer daqueles que servem de fundamento aos nossos conhecimentos. A segunda regra é a de assegurar bem os fatos que estão ao nosso dispor e conhecer todas as circunstâncias que acompanham o fenômeno que queremos explicar.[15]
Uma vez formulada, é preciso deduzir dela todas as consequências e as confrontar com a experiência. Caso aconteça de
todas essas consequências serem confirmadas pelas experiências, a probabilidade adquire seu mais alto grau. Porém, se há uma só a que elas sejam contrárias, deve-se rejeitar, ou toda a hipótese, se essa consequência se segue da hipótese inteira, ou aquela parte da hipótese da qual ela é uma consequência necessária.[16]
Se uma hipótese exige suposições adicionais para se sustentar, de modo ad hoc, ela deixa de fornecer explicação ao fenômeno e infringe o PRS, sendo uma ficção prejudicial à ciência. Uma boa hipótese, portanto, é aquela que possui melhores razões e maior poder explicativo, atendendo ao PRS.[17]
Podemos dizer que há em Du Châtelet uma tematização da ética da pesquisa[18] pelo fato de destacar o papel do cientista no procedimento de descoberta. Visto ser o assentimento algo interno, cabe ao cientista inventar hipóteses metódica e prudentemente com vistas à verdade e a evitação do erro. Trata-se do estabelecimento de condições e critérios epistêmicos ideais para o assentimento e qualificação de hipóteses científicas. É razoável atribuírmos a Du Châtelet uma filosofia e epistemologia da ciência, guiadas pelo princípio basilar de razão suficiente.
O capítulo “Das Hipóteses” de Institutions é uma singularidade histórica. Podemos classificá-lo como um dos comentários setecentistas mais extensos sobre o tema.[19]. A concepção de hipóteses como suposições destinadas a fornecer razões aos fenômenos que geram consequências empiricamente testáveis, a rejeição de hipóteses arbitrárias com base em regras subjugadas ao PRS e a exigência de verificação rigorosa dos fenômenos observados aproximam Du Châtelet de aspectos centrais do que no século XX seria chamado de modelo hipótetico-dedutivo.[20] Por essas e outras razões, é possível lermos Du Châtelet como uma precursora do debate contemporâneo em filosofia e epistemologia da ciência, com o diferencial de que o PRS e o PNC constituem os fundamentos de seu sistema filosófico.
Referências
ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de filosofia. São Paulo. Martins Fontes, 2021.
Detlefsen, Karen, "Émilie du Châtelet", The Stanford Encyclopedia of Philosophy (Winter 2018 Edition), Edward N. Zalta (ed.), URL = <https://plato.stanford.edu/archives/win2018/entries/emilie-du-chatelet/>.
DONINI, Pierluigi; FERRARI, Franco. O exercício da razão no mundo clássico. São Paulo: Annablume Clássica, 2012.
HADOT, Pierre. O Véu de Isis: Ensaio sobre a história da idéia de natureza. São Paulo: Edições Loyola, 2006.
PAGANINI, Gianni. Émilie Du Châtelet’s epistemology of hypotheses. In: Époque Émilienne: Philosophy and Science in the Age of Émilie Du Châtelet (1706-1749). Cham: Springer International Publishing, 2022. p. 21-56.
SCHOPENHAUER, Arthur. Sobre a quadrúplice raiz do princípio de razão suficiente: Uma dissertação filosófica. Editora Unicamp, 2019.
Tradução (em revisão, ainda não publicada) do texto Instituições Físicas pelo grupo Émilie, 2025.
WELLS, Aaron. Du Châtelet on sufficient reason and empirical explanation. The Southern Journal of Philosophy, v. 59, n. 4, p. 629-655, 2021.
Notas
[1] DONINI; FERRARI (2012, p. 21): “De Anaximandro vale a pena lembrar também a formulação de algo semelhante ao princípio de razão suficiente, implícito na tese que reconduz a estabilidade da terra a uma causa de caráter unicamente geométrico, ou seja, à ausência de razões pelas quais ela deveria deslocar-se do centro para uma direção em vez de para outra”. Agradeço ao amigo e colega Lucas Bonacorso pela referência.
[2] Será utilizada a tradução, ainda em andamento, elaborada pelo Grupo Émilie (2025) que atualmente não está publicada.
[3] Parentesco conceitual identificado por Giovanni Fornero em seu verbete “Fundamento” (em ABBAGNANO, 2021, p. 553-554).
[4] Du Châtelet identifica contradição e impossibilidade: “o impossível é aquilo que implica contradição”; e “o possível é aquilo que não a implica" (§ 5). Du Châtelet emprega “princípio de contradição”; escolhemos empregar “princípio de não contradição” por familiaridade, sem perder exatidão conceitual.
[5] Ibid., § 4.
[6] A analogia entre causas (no âmbito ontológico), razões (no âmbito epistêmico) e motivos (no âmbito da ação e da moral) foi demonstrada por SCHOPENHAUER (2019) na sua tese Sobre a quadrúplice raiz do princípio de razão suficiente. Todas estão operando em uma lógica causal: sempre há uma antecedente e um consequente, em ordem. É provável que Du Châtelet já tenha pensado em algo parecido com relação ao conceito de motivo, para o aborrecimento do alemão. Costuma-se supor, em certos contextos pedagógicos, que a distinção entre motivos e razões é suficientemente elementar para já estar dominada no início da formação avançada. A história da filosofia sugere, entretanto, que a questão talvez seja menos trivial do que essa suposição deixa entrever.
[7] Ibid., § 8.
[8] Para voltarmos ao exemplo do quarto dado pela filósofa.
[9] Cremos ser justificado dizer que, para a filósofa, tanto o PNC quanto o PRS são a condição de possibilidade de toda e qualquer inteligibilidade. Todavia, não fica claro ao longo das Institutions se há ou não uma hierarquia entre um princípio e outro; às vezes, o PRS aparece como o fundamento somente das verdades contingentes, e o PNC o fundamento das verdades necessárias; mas há também momentos em que este último parece ser o fundamento de ambas as verdades; e o mesmo acontece com o PRS. Segundo DETLEFSEN (2018, tradução e grifos nossos), “a maneira mais consistente de interpretar [...] não é supor que o PRS seleciona todas as verdades contingentes, pois isso é claramente o trabalho do PNC (quando este último princípio é usado para identificar verdades necessárias, com as restantes sendo, portanto, contingentes). Em vez disso, Du Châtelet parece significar claramente que o PRS explica por que as verdades contingentes que realmente se obtêm no mundo se obtêm. Assim, ela parece aceitar a segunda das maneiras de Wolff em que o PRS explica ainda mais aspectos das coisas possíveis: o PSR atua como um ‘princípio do devir’. Ele também atua como um ‘princípio do ser’ na medida em que explica as essências, mas explica as essências das coisas contingentes, enquanto as essências das coisas necessárias são explicadas pelo PNC”. Trata-se de um ponto no mínimo ambíguo dentro da obra. Ademais, parece ser mais natural para o entendimento argumentar que o PRS é logicamente implicado no PNC: é impossível pensarmos o conceito do PRS sem pressupor o PNC (já que a explicação, dar razões para algo, pressupõe a não-contradição, isto é, uma razão suficiente não pode ser e não ser uma razão suficiente ao mesmo tempo). De qualquer modo, a relação e a primitividade dos princípios lógicos em Du Châtelet é um ponto a se estudar ainda.
[10] Tal é a exegese de WELLS (2021, p. 630). O autor defende que há em Châtelet uma propensão a explicações de tipo eficiente-causais. Ressalta, no entanto, que Châtelet não reduz, como fazem outros autores, o PRS e por conseguinte o sucesso explanatório à causalidade restrita; a filósofa remonta também à precisão matemática como critério avaliativo das explicações empíricas.
[11] Novamente, WELLS (2021, p. 635): “O PSR garante, pelo menos, a possibilidade de compreensão. Nesse sentido, a compreensão não é uma característica do mundo independente da mente: ela é possibilitada pelas capacidades cognitivas de certos tipos de sujeitos.”
[12] Cap. IV, § 67.
[13] Ibid., § 53. Ao que parece, Du Chãtelet toma como equivalente os termos “probabilidade” e “hipótese”.
[14] Justamente os princípios de não contradição e o princípio de razão suficiente explorados no primeiro capítulo de seu tratado do qual discorremos linhas acima. Vale dizer que a filósofa transmite uma visão mais integradora para com os erros derivados de genuínas hipóteses: estas fazem parte do saudável desenvolvimento científico, pois é preferível uma boa hipótese que se mostre falsa a uma má hipótese que atrapalhe o avanço da ciência. As hipóteses devem, por isso, ser incluídas metodicamente, e não pelo simples arbítrio do cientista.
[15] Ibid., § 61.
[16] Ibid., § 66.
[17] Ibid., §§ 68-69.
[18] Tematização essa na esteira de Aristóteles. Como nota HADOT (2006, p. 206-207): “o estudo da natureza exige também objetividade e desinteresse. A grandeza de Aristóteles é ter definido claramente a ética implicada no conhecimento científico.” E continua,citando Jacques Monod: “Afirmar o postulado da objetividade como condição do conhecimento verdadeiro constitui uma escolha ética e não um juízo de conhecimento, pois, segundo esse próprio postulado, não poderia haver conhecimento ‘verdadeiro’ anterior a essa escolha arbitral”. Pensamos que Du Châtelet faz essa “escolha arbitral” primeira ao elencar o PRS e o PNC como a condição do conhecimento das verdades contingentes e necessárias, respectivamente.
[19] Gianni Paganini (em HAGENGRUBER, 2022, p. 22, tradução nossa) explica a sua repercussão: “Sobre esse tema específico, a posição de Du Châtelet representou uma grande inovação em comparação com o Iluminismo francês e inglês. Seu capítulo “Des hypothèses” foi o tratamento mais extenso do século XVIII sobre esse tema, juntamente com o capítulo homônimo do Traité des systemes, de Condillac, que, no entanto, foi publicado nove anos depois (1749) e provavelmente foi influenciado pelas Instituições. A entrada ainda mais tardia e muito mais curta “Hypothèse” da Encyclopédie (vol. 8, 1766) não apresentava qualquer originalidade, tendo sido retirada do texto de Du Châtelet, como reconhecido no final da própria entrada, que acrescenta uma referência a Condillac, talvez para reforçar o argumento, mesmo que quase nada tenha sido retirado do seu Traité des systèmes.”
[20] Ao passo que antecipa também a distinção poincariana entre hipóteses úteis e hipóteses perigosas. A famosa reavaliação do valor das hipóteses na ciência que ocorreu no século XIX já tinha sido antecedida por Châtelet. Segundo PAGANINI (ibid., p. 21, tradução nossa): “O esquecimento em que caiu a metodologia das Instituições é um tanto paradoxal. Em vários momentos da história, tendências influentes na filosofia contemporânea da ciência reavaliaram o valor das hipóteses nos empreendimentos científicos, primeiro no início do século XIX com a readmissão das hipóteses (com Comte e Whewell), depois no convencionalismo francês do século XX (Poincaré, Duhem) e, finalmente, na epistemologia antipositivista mais recente (Popper, Feyerabend, Quine). No entanto, essa reavaliação espetacular na epistemologia não levou em consideração o trabalho pioneiro de Du Châtelet, cujo reconhecimento como uma importante estudiosa ocorreu apenas recentemente, graças a historiadores da filosofia especializados em estudos do Iluminismo.”
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