"Quero acreditar que superamos a fase de ter que justificar a qualidade e importância teórica das mulheres negras para avançar no engajamento de pesquisas comprometidas com as mudanças nos quadros de desigualdade" - Maria Fernanda Novo

Jéssica Kellen Rodrigues

Doutora em Filosofia e pesquisadora de pós-doutorado (Unicamp)

10/03/2026 • Entrevistas

No mês de março, período simbólico para a reflexão sobre as trajetórias, lutas e contribuições das mulheres, a filosofia é convidada a revisitar suas próprias condições de produção, seus silêncios históricos e seus horizontes de transformação. Em um campo ainda marcado por assimetrias de raça e gênero, a presença e a atuação de mulheres negras seguem tensionando cânones, práticas institucionais e imaginários consolidados sobre quem pode filosofar e em que condições.

É nesse contexto que se insere a entrevista concedida pela professora dra. Maria Fernanda Novo (UFRJ) à dra. Jéssica Rodrigues (Unicamp). Nossa entrevistada, recém admitida como professora adjunta no departamento de Filosofia da UFRJ, possui trajetória acadêmica e intelectual que expressa um compromisso constante com o rigor filosófico, com a pesquisa, a formação universitária e a ampliação das vozes que compõem o pensamento produzido no Brasil. Ao longo de sua carreira, a professora Maria Fernanda tem refletido sobre os desafios estruturais do fazer filosófico, bem como sobre as relações entre raça, gênero e classe reconhecimento intelectual e autoridade epistêmica no espaço acadêmico. Já Jéssica Rodrigues é pesquisadora de pós-doutorado em Filosofia pela Unicamp, desenvolvendo o projeto intitulado "Teorias críticas da raça e o ensino da história da filosofia como base para uma pedagogia engajada enquanto práxis política".

Em diálogo com o significado do 8 de março, Dia Internacional das Mulheres, a entrevista propõe uma conversa que articula experiência, reflexão conceitual e responsabilidade histórica. Mais do que uma data comemorativa, março aparece aqui como um convite à escuta, à reflexão crítica do campo filosófico e à construção de práticas acadêmicas mais justas e plurais.

Nesta entrevista concedida à Anpof, Maria Fernanda Novo compartilha reflexões sobre sua trajetória, sobre os desafios e possibilidades de fazer filosofia no Brasil hoje e sobre o papel formativo da universidade na construção de horizontes críticos frente às desigualdades de raça e gênero. A conversa com a professora Jéssica reafirma a filosofia como espaço de rigor conceitual, mas também de cuidado, escuta e compromisso com a transformação social. Leia abaixo.

Trajetória intelectual e condições de possibilidade da filosofia

Sua trajetória intelectual é extremamente inspiradora, mas nossa formação e atuação acadêmica foram bastante desafiadoras e isso por vários motivos, um deles diz respeito ao fato de que elas se dão em um campo historicamente marcado por exclusões raciais e de gênero. Em retrospectiva, quais foram os principais desafios estruturais e epistemológicos que atravessaram sua trajetória como filósofa no Brasil, e de que modo esses desafios influenciaram suas escolhas teóricas, metodológicas e institucionais?

Eu sou uma pesquisadora em filosofia que, como qualquer outra pessoa que se formou em um departamento de filosofia no Brasil da minha geração, não teve na formação o contato sistemático com o pensamento negro em geral ou com as elaborações sobre filosofia e raça, filosofias africanas e afrodiaspóricas. Fui estimulada a me voltar para a pesquisa nesses temas, que no seu conjunto podemos chamar de estudos filosóficos negros, no mestrado, a partir de leituras de Fanon, que coincidiram com a promulgação da lei de cotas no Brasil, em 2012. Era um momento de muito entusiasmo a proximidade do horizonte de transformação da universidade com as políticas de cotas e também de muita tensão e resistência na comunidade filosófica brasileira. Eram poucos os professores que levavam a sério o enfrentamento de assumir outros referenciais filosóficos.

Para ir um pouco mais atrás, na minha graduação um dos debates mais animados na filosofia era se a filosofia deveria ou não ser considerada uma profissão no Brasil. Eu, enquanto estudante, observava com um certo espanto a naturalidade do distanciamento da realidade social que esse tipo de debate suscitava. Assumir a filosofia como profissão era um demérito pra quem estava acostumado a pensar a filosofia como o último refúgio da especulação imaculada da realidade, e ser filósofo se parecia com a coroação de uns poucos eleitos pela capacidade de especular em condições ideais, materiais, inclusive, o que excluía boa parte dos estudantes negros como eu que dependiam do trabalho ou de bolsas para concluir a graduação.

Voltando ao Fanon, foi a partir dos estudos fanonianos que comecei a entender que os estudos de raça eram um campo legítimo na filosofia, que apareceu primeiro para mim a partir da crítica francófona, não francesa, nas teorias pós-coloniais como no Achille Mbembe. Ao mesmo tempo, o tema da memória que havia pesquisado no mestrado me levou a conhecer o pensamento da Beatriz Nascimento, a partir do trabalho do Alex Ratts e também do filme Orí, que era o que havia disponível na época. De certa maneira, Fanon e Beatriz foram como faróis que me guiaram em direção a um campo de problemas que estava do meu lado, mas que por força da especialização da formação eu não pude incluir como base das minhas pesquisas de pós-graduação. Em 2016, quando fazia meu estágio sanduíche do doutorado na França, fiz a primeira apresentação em torno das pesquisas sobre Fanon que corria paralelamente à minha tese, no I Congresso de Filosofia e Pensamento Decolonial em Toulouse. Ali encontrei um ambiente de debate favorável para quem, como eu, estava interessada em pensar raça, sua fundamentação e as implicações e silenciamentos na filosofia. Claro que o próprio evento não aconteceu sem resistência da comunidade acadêmica francesa, bastante conservadora quando o tema de pesquisa é raça.

O ano de 2016 foi marcado pelo golpe que destituiu a Dilma, e mesmo de longe sabíamos, eu e um grupo de pesquisadores brasileiros que estava na França naquela época, que aquele golpe era, de certa maneira, uma reação conservadora à ampliação do Estado para uma população que sempre esteve à margem, e tinha como alvo, entre outros avanços, as políticas de ação afirmativa. Havia um sentimento de que era preciso enfrentar a reação conservadora abrindo a caixa de Pandora do debate racial no Brasil. Quando voltei em 2017 outro evento dessa vez na UERJ, no I Encontro de Filosofia Africana e Afrodiáspórica, pude entender que o projeto era enorme, e não seria feito por personalidades isoladas ou por um único departamento de filosofia, mas por uma comunidade de pesquisadores e professores que arriscavam tudo para abrir caminho dos estudos de raça na filosofia.

No meu primeiro pós-doutorado que começa no primeiro ano da pandemia, tive a chance de sistematizar o problema da criação do sujeito racial, que nasce como um projeto político e epistêmico na modernidade. E entendi que este sujeito, porque político, promovia uma arquitetura de conhecimento única e original, que tinha contribuições para diversas frentes teóricas na filosofia como o marxismo e a filosofia política, as teorias do sujeito, as teorias do conhecimento, a tecnologia e as artes. O estágio de pesquisa na City University of New York me ajudou a encaminhar a pesquisa na direção do estudo radical negro. E isso foi valioso não apenas em função do acumulado teórico, que tem sua história atribuída a autores como W.E.B Du Bois, além de toda tradição abolicionista, mas também porque me permitia conceber a problematização sobre raça fora da chave da “descoberta”, que aconteceu por aqui. Além disso, é um campo que tem a força de impor uma agenda de pesquisa própria. Quero dizer, não basta fazer uma leitura eticamente implicada de Kant, Hegel, Marx ou Foucault, o trabalho vai no sentido de posicionar o problema negro - e não do negro - no centro da investigação sobre como a relação entre Estado e Capital é dependente da manutenção de formas de dominação que os autores da tradição negra radical entendem como racial.

Mulher negra e autoridade filosófica

Ser reconhecida como filósofa ainda é, para muitas mulheres, e de modo particular para mulheres negras,  um processo permeado por silenciamentos e disputas simbólicas. Como você analisa a relação entre raça, gênero e autoridade intelectual no campo filosófico, e quais estratégias teóricas e políticas considera fundamentais para a transformação efetiva desse cenário?

Acho importante relembrar que as pesquisas pioneiras da Carolina Araújo sobre a disparidade de gênero na filosofia e do Fernando Moreira-Zau sobre as disparidades de raça são marcos importantes que nos permitem ter dimensão concreta do problema que lidamos quando falamos de desigualdades na filosofia. Vou destacar uma pesquisa recente do Fernando porque ela aponta para um problema que explicita a desigualdade presente na pós-graduação em filosofia com as maiores notas na avaliação Capes. Esta pesquisa, resultado de uma iniciação científica orientada por ele, aponta que apesar do relativo crescimento do número de pessoas negras nos programas de pós-graduação, a desigualdade se mantém estável nos programas em que as notas são maiores, portanto, recebem mais financiamento. Isso aponta que o problema da disparidade racial nestes departamentos não é enfrentado de maneira satisfatória.

São comuns os argumentos que relativizam esse atraso naturalizando a velocidade com que os programas absorvem as mudanças, como se a cultura acadêmica de certos departamentos fosse algo incorrigível. Se este argumento for aceito, podemos inferir que essa mesma cultura da lentidão incorrigível que atrasou a adoção das cotas para estudantes negros nos programas é uma cultura que tem como orientação a manutenção de padrões de desigualdade. O mesmo acontece nos concursos para professores em que se operam manobras para dificultar a entrada de professores/as negros/as, como demonstrado em pesquisa recente de pesquisadores da Abpn (Associação Brasileira de Pesquisadores Negros). Seria interessante levantar os dados de quantos concursos na filosofia que tinham orientação de reserva de vaga para pessoas pretas, pardas e indígenas contrataram esse perfil.

Este cenário aponta também para o problema da permanência, que, em síntese, são os obstáculos que os alunos negros e indígenas encontram para permanecer e concluir os cursos de filosofia na graduação e na pós. É importante não perder de vista o avanço das políticas de permanência que oferecem condições materiais como auxílios e bolsas, contudo creio que precisamos ampliar o escopo dessas políticas ao contemplar a mudança efetiva tanto da composição curricular e das linhas de pesquisa, quanto no material de pesquisa disponível nas bibliotecas das universidades. É raro que a bibliografia de cursos de graduação e de pós que tenham como referências pesquisas sobre estudos filosóficos negros, filosofia africana ou afrodiaspórica ou mesmo correntes teóricas que lidam diretamente com as questões de raça como o decolonial, o contra-colonial e o pós-colonial estejam disponíveis nas bibliotecas. Ora, lidamos primordialmente com a matéria textual, nossa base de trabalho são os textos e eles sequer estão disponíveis num acervo qualificado. Neste cenário, parece não ser difícil construir argumentos contra bases teóricas não canônicas, afinal, elas sequer estão disponíveis nas universidades para formação de um conjunto de pesquisadores, professores e estudantes capazes de criar uma massa crítica.

Março: memória, crítica e futuro da filosofia

O Dia Internacional das Mulheres, celebrado em 8 de março, costuma ser marcado por homenagens, mas também por esvaziamentos críticos. Do seu ponto de vista, qual deve ser o sentido filosófico e político dessa data  e do mês de março  para a filosofia acadêmica? Que tipo de reflexão, revisão do cânone e compromisso institucional essa data exige de nós?

Antes de tudo, o 8 de Março deve ser lembrado como uma data sobre a resistência das mulheres frente aos avanços da exploração patriarcal e capitalista sobre quem está nas frentes de trabalho mais extenuantes. Historicamente, remetia às mulheres trabalhadoras de fábricas, mas hoje além de trabalhadoras formais, mulheres que atuam em trabalhos informais, trabalhadoras precarizadas, no trabalho rural e trabalho doméstico, todas elas expostas a assédios, desigualdade salarial e rotinas duplas e triplas de trabalho. Além disso, o feminismo como movimento de massa e como revolução cultural e sexual transformou o olhar e a posição social, política e simbólica que as mulheres têm ocupado. Apesar das constantes tentativas de banalização, a data continua sendo relevante por representar o enfrentamento de mulheres à violência, que como temos visto no Brasil continua vitimizando mulheres cis e trans pela brutalidade dos feminicídios, e pelas violências de todo tipo.

Agora, a data-símbolo também deve ser uma reflexão sobre as contradições que envolvem o feminismo e sua produção teórica. Acho importante pensar o feminismo negro brasileiro, latino americano, caribenho e afro estadunidense como referenciais sem os quais o conjunto de transformações na vida das mulheres nesses territórios no último século não seria possível. A produção teórica e o ativismo das mulheres negras em todo o continente alteraram radicalmente a atuação das lutas feministas, na academia ou nos movimentos sociais. Lélia Gonzalez e sua incontornável reflexão sobre o papel das mulheres negras na formação social brasileira aponta ao mesmo tempo, as falhas e pontos cegos do feminismo branco europeu e as teorias da formação social brasileira que nada ou pouco se esforçaram para produzir análises que abarcassem o trabalho e a função social e simbólica das mulheres negras.

Gonzalez, assim como outras autoras negras, foi sistematicamente ignorada pelas reflexões sobre a formação social brasileira, até que por força das transformações das últimas duas décadas, ela passa a ser um referencial indispensável. Finalmente, hoje reconhecida pela potência de seu pensamento e pela acuidade de sua produção teórica, ela tem sido merecidamente celebrada e seu trabalho estudado em todas as áreas das humanidades. E coisas significativas tem acontecido, como a nomeação de doutor honoris causa de Lélia pela UnB, e outras iniciativas de estudantes e professoras que colocam Gonzalez e outras mulheres negras no centro da produção filosófica brasileira. Quero acreditar que superamos a fase de ter que justificar a qualidade e importância teórica das mulheres negras para avançar no engajamento de pesquisas comprometidas com as mudanças nos quadros de desigualdade e precarização da vida que avança em todas as direções.

Filosofia, responsabilidade histórica e imaginação crítica

Considerando sua produção intelectual e sua atuação na formação de novas gerações, que papel você atribui hoje à filosofia na construção de horizontes críticos frente às desigualdades raciais e de gênero? Em que medida a filosofia pode, ou deve,  assumir uma responsabilidade histórica sem abrir mão do rigor conceitual que caracteriza o pensamento filosófico?

Esta pergunta me dá a oportunidade de jogar luz sobre o problema de como trabalhar raça e gênero na filosofia respeitando uma lógica própria do campo, que tem referenciais fundamentais, e que avança na medida que responde às configurações político-sociais e os arranjos epistemológicos de cada momento histórico.

Os estudos de gênero nos anos 1970 passam a ser desenvolvidos a partir de múltiplas perspectivas, que expressam a produção das mulheres em diversas áreas das ciências humanas, a exemplo da antropologia, da sociologia, da psicanálise e da filosofia inaugurando uma era essencialmente transdisciplinar. A notória participação de teóricas e intelectuais na consolidação do campo do feminismo negro foi capaz de criar uma tendência específica no campo dos estudos de gênero, que buscaram aproximar as categorias utilizadas para pensar o gênero com aquelas que se desenvolviam no bojo dos estudos da racialidade. Alguns fatores decisivos impulsionaram a perspectiva teórica do feminismo negro tanto brasileiro quanto estadunidense.

Mas aqui vou destacar o caso do feminismo negro nos EUA, marcado pelo longo percurso das lutas pelos direitos civis ao longo do século XX e pela literatura abolicionista que oferecia uma importante fonte de reflexão sobre a complexa condição do negro nessa sociedade.  Neste contexto ganha destaque o trabalho de Angela Davis, que publica em 1981 o livro seminal Mulheres, Raça e Classe. Esta obra é uma síntese da trajetória de Davis desde seu doutorado sob supervisão de Hebert Marcuse, então professor na universidade de San Diego, California.

Em 1969 Davis já amplamente conhecida pela militância no Partido dos Panteras Negras é contratada como professora assistente na Universidade da California, em Los Angeles. Davis foi demitida pela reitoria da UCLA, cedendo a pressão do então governador Ronald Reagen, sob a alegação do seu envolvimento no partido comunista. Ela mal começou o curso e foi demitida por conta da sua afiliação política. Um ano depois ela é presa sob acusação da participação de uma tentativa de fuga de um tribunal, numa ação que participava George Jackson, militante dos Panteras Negras e ícone da luta abolicionista que promove de dentro prisão a publicação de sua autobiografia Blood in my eyes. É combinando interesses nos temas da sua militância com o campo acadêmico de gênero e de raça que se consolidava com a criação dos programas African American Studies e com o Gender Studies nas universidades que Davis oferece o curso, que conectava o entendimento filosófico da liberdade com histórias das lutas e da cultura negra no contexto estadunidense, como extensivas ao esforço de expandir o significado de liberdade, mobilizando a autobiografia de Frederick Douglass como pilar argumentativo.

Ainda na década de 1980 outro texto consolidaria o campo teórico do feminismo negro nos EUA com a publicação de Bebê da mamãe, talvez do papai: uma gramática americana de Hortense Spillers. Neste texto, Spillers aborda a constituição das famílias negras a partir da hipótese da desgenerificação da mulher negra. Processo instaurado pelo escravismo que sobrepõe a mulher escravizada ao estatuto jurídico da propriedade, que Spillers chama de carne (flesh). A impossibilidade da maternidade e a exposição à violência física e sexual condena a mulher negra a uma condição que a mantém vinculada a uma imagem fixa da exploração. Spillers assim como Davis recorre aos relatos autobiográficos de Frederick Douglas e também de Malcom X, em suas reflexões sobre a mãe desaparecida. A conclusão de Spillers é que os 100 anos que separam um relato de outro não alteram a inscrição da carne na mulher negra na sociedade estadunidense.

Vinte anos depois do trabalho de Spillers, Denise Ferreira da Silva aponta em sua tese que deu origem ao Homo Modernus, como o par raça e gênero funcionam como princípios de exclusão social. Ao mesmo tempo, seu texto aponta para os limites de abordagens que apenas narram e descrevem os mecanismos dessa exclusão, sem mexer no ponto principal que é a indiferença ética sobre a exclusão dos sujeitos raciais e generificados - ou definidos pela exterioridade  nos termos de Denise -, da universalidade jurídica. O racial deve ser entendido como uma estratégia de poder, que define a posição do sujeito subalterno racial criado para limitar a interioridade e a consciência a um único tipo social, nascido branco no norte global, que orienta a arquitetura jurídica econômica moderna.

Essas três autoras ajudam a entender que os arranjos teóricos do feminismo negro são decisivos para mobilizar o debate racial no centro da produção crítica do nosso tempo, que não será feita apenas pelo feminismo negro, mas pode ser orientada pela produção