Qualis - Periódicos

Maria Isabel Limongi

05/05/2020 • Revisão do Documento de Área da CAPES - 2015

Instituio Universidade Federal do Paran - Revista Doispontos Caros colegas, Seguem abaixo algumas consideraes que procuram contemplar as manifestaes dos editores no frum de debates, expressar a minha prpria opinio enquanto editora da Doispontos e incentivar a discusso e tomada de posio em torno de certos pontos recorrentes nas discusses. Nmero de artigos. Parece consenso que o nmero de artigos por volume como critrio para a estratificao (A1 a B1 = 18; B2 = 14; B3 e B4 = 10; B5 e C < 10) excessivo. De um lado, tais padres colocam os peridicos na situao indesejvel de publicar artigos que no se encaixam em sua proposta editorial, apenas para ?fazer nmero?. De outro, ela no d aos avaliadores um instrumento real de avaliao, j que de fato os peridicos dos diversos estratos esto longe de se adequar aos valores estabelecidos. Assim, no mnimo, esses valores devem ser mais baixos. Mas penso que a questo vai mais longe: a quantidade de artigos publicados mesmo um bom critrio para aferir a qualidade das revistas? Segue minha opinio e uma proposta a fim de fomentar a discusso sobre esse ponto. Penso que no. O que importa a qualidade e no a quantidade dos artigos publicados. H evidentemente uma relao entre a qualidade da publicao (a ser aferida por outros critrios: regularidade, corpo editorial, etc.) e o nmero de bons artigos que ela consegue pr em circulao. Mas, a quantidade de artigos no em si mesmo um critrio de qualidade. Tendo isso em vista, proponho a alterao do documento no seguinte sentido: - no mais determinar um nmero mnimo de artigos por estrato; - em compensao, definir um nmero mnimo de artigos por volume (7 em mdia?) para que uma publicao seja considerada um peridico (o documento de rea parte de uma definio do que considerado um peridico pela rea; a proposta que um nmero mnimo por publicao faa parte dessa definio, como contrapeso a proposta de no mais definir um nmero mnimo por estrato). - eventualmente levar em conta a capacidade da revista em publicar um nmero maior de artigos como indcio de sua consolidao. A anlise poderia ser comparativa, sem definir um nmero preciso de publicaes por estrato, mas levando em conta que as revistas com maior volume de publicao mostram-se mais consolidadas do que as que publicam menos. Indexadores e bases de dados. H manifestaes bastante pertinentes no sentido de que no devemos nos subordinar aos critrios impostos pelos indexadores e bases existentes, que no contemplam a realidade e as necessidades especficas da rea. Com efeito, a proposta desse debate promovido pela ANPOF justamente a de que venhamos a criar os nossos prprios critrios, de acordo com a poltica de publicao que queremos ver implementada para a rea. Mas, se no devemos nos subordinar a critrios exgenos, no podemos por outro lado deixar de reconhecer que interesse da rea que suas publicaes se faam presentes nesses indexadores e bases de dados, que consistem num importante meio de divulgao e circulao da produo publicada, oferecendo tambm instrumentos (cujo valor cabe discutir) de aferir seu impacto. Ou seja, qualquer que seja a importncia que atribuamos aos indexadores e bases de dados, me parece inegvel (ou no?) que estar presente em um ou mais deles um critrio relevante para estratificar as revistas, em que pese a importncia de aumentar a acessibilidade de seus contedos. Nesse mesmo sentido, imprescindvel incluir no documento, como elemento de estratificao, a atribuio ou no de DOI para artigos e publicaes (no sei exatamente em que nvel da estratificao). Fora isso, h a questo da lista das bases e indexadores presente no documento. Colegas dos Cadernos de tica e Filosofia Poltica da USP sugeriram a incluso do Latin American Research e Clase, entre outros. Outras sugestes? Fatores de impacto. Um dos argumentos a favor do incentivo indexao (no foi o que utilizei acima) que os indexadores oferecem instrumentos para medir o impacto das publicaes. No preciso entrar na discusso sobre se esses instrumentos so ou no adequados e se devem ser levados em conta, bastando atentar aos dados levantados pelo Adriano Brito no texto ?Ns, os guaranis, e a avaliao da Capes?, a ser publicadoem breve pela ANPOF no livro sobre polticas acadmicas: poucas de nossas revistas esto indexadas e a que esto apresentam nos indexadores em que se fazem presentes fatores de impacto irrisrio. Isso j razo suficiente para no fazermos do fator de impacto ligados aos indexadores um elemento de avaliao: ele no afere nada! Nenhuma de nossas revistas tem impacto aferido por esse meio. Isso nos permite lanar para o futuro a discusso sobre como e o quanto deveriam ser levados em conta na avaliao. Por outro lado, h manifestaes no sentido da necessidade de medir da algum modo o impacto das publicaes. A questo : como? De minha parte, penso que o impacto local (o quanto somos lidos por ns mesmos) , nesse momento da histria da consolidao da rea, o mais importante a ser aferido, se instrumentos houver para isso. Talvez, quando todas nossas revistas estiverem alojadas no site da ANPOF, se possa criar algum mecanismo para aferir a quantidade de acessos aos artigos, criando assim o nosso prprio fator de impacto. Mas tudo isso para o futuro. Por enquanto sou favorvel a que permanea a observao que consta no documento: a rea no utiliza fator de impacto. Critrios formais. Parece certo que preciso estabelecer critrios formais precisos de avaliao, no apenas porque estes critrios permitiro uma avaliao mais objetiva, como tambm e principalmente porque alguns deles se apresentam como uma condio indispensvel capacidade da publicao de fazer circular um bom contedo. Penso que isso sobretudo o que se deve levar em conta no estabelecimento desses critrios: sua importncia para fazer circular bom contedo. Alguns desses critrios esto presentes na definio de peridico constante no documento atual, que define um peridico como ?uma publicao seriada, arbitrada e dirigida prioritariamente a uma comunidade cientfica, que dever conter, obrigatoriamente, os seguintes itens: conselho editorial, ISSN, linha editorial, normas de submisso, periodicidade e regularidade; avaliao por pares, resumos e descritores.? Atender a essa definio condio para ser um peridico de filosofia em qualquer estrato. A questo ento : quais os critrios adicionais a partir dos quais estratificar as publicaes? Algumas sugestes e observaes: - o fator ?regularidade? deveria sair da definio e passar a ser um critrio de estratificao, uma vez que, de fato, muitas publicaes no atendem a esse critrio e que uma aplicao estrita do documento nos obrigaria a exclui-las do prprio processo de avaliao. Talvez se possa pensar em algo como graus de regularidade. H publicaes h muito tempo plenamente regulares; outras h pouco; outras que alternam perodos de regularidade e irregularidade; outras que nunca foram regulares. A regularidade das publicaes me parece ser um elemento a ser fortemente induzido pela avaliao. - bons critrios j contemplados pelo documento: grau de exogenia, certa porcentagem de publicao estrangeira; avaliao por pares (a se acrescentar elementos de transparncia da avaliao como a divulgao peridica dos avaliadores e levar em considerao a variedade e o grau de exogenia dos pareceristas); presena em indexadores e bases de dados. - sugesto de novos critrios: grau de consolidao (tempo de existncia, titulao dos autores; financiamento pblico, quantidade dos artigos publicados - no como critrios independentes, mas para aferir o grau de consolidao); clareza e coerncia da linha editorial; acessibilidade. Procurei organizar o debate passado e futuro em torno de tpicos especficos, com o fim de retirar de nossa discusso sugestes concretas para a reviso do documento. Crticas, acrscimos, ponderaes so bem vindas. Maria Isabel Limongi Universidade Federal do Paran Editora da Revista Doispontos