GT Filosofia das Emoções

As emoções ocupam um lugar central em diversas esferas da ação humana, revelando que tipo de agentes morais somos, quais valores sustentamos e o que consideramos importante. Não surpreende, portanto, que, desde a Antiguidade, as emoções tenham sido objeto de profunda reflexão filosófica. Ao longo da história da filosofia, contudo, o estudo das emoções permaneceu em grande medida subordinado a outros domínios, como a ética, a estética e a religião, que nelas encontravam elementos relevantes para a compreensão dos juízos morais e estéticos ou da experiência religiosa.
Na filosofia contemporânea, observa-se uma inflexão: as emoções passam a ser investigadas em si mesmas, com atenção à sua natureza, estrutura e às múltiplas formas de experiência afetiva. Esse movimento inclui o exame de sua ontologia e metafísica, assim como a análise de fenômenos correlatos, tais como humores, disposições emocionais, emoções coletivas e atmosferas afetivas. Além disso, ganham destaque discussões mais específicas sobre emoções particulares — como amor, ciúme, inveja, nojo, tédio, raiva e compaixão — independentemente de sua vinculação a outros campos filosóficos.
No Brasil, a pesquisa em filosofia das emoções acompanha essa tendência, encontrando expressão em tradições variadas, como a filosofia analítica, a fenomenologia, além de abordagens históricas que focam nas emoções em filósofos canônicos da Filosofia Antiga, Medieval e Moderna. Nos últimos anos, esse interesse tem se intensificado: apenas no quinquênio recente, cerca de sessenta dissertações e teses em programas de pós-graduação em filosofia registraram o termo “emoções” entre suas palavras-chave. O crescimento do campo pode ser igualmente aferido pela realização de eventos acadêmicos de peso, como o I e o II Workshop de Filosofia das Emoções (Universidade Federal de Santa Maria, RS, 2022 e 2023) e o I Congresso Latino-Americano de Ciências Afetivas (Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, MG, 2025).
Foi nesse último evento que se consolidou a percepção da necessidade de uma instância institucional capaz de articular e impulsionar a pesquisa sobre emoções e afetividade em sua diversidade, favorecendo o diálogo entre diferentes tradições filosóficas em distintas regiões do país. O GT Filosofia das Emoções surge, assim, com a finalidade de reunir uma produção até então dispersa em um espaço comum de debate, estimulando a consolidação de pesquisas, eventos, publicações, projetos e parcerias que fortaleçam o campo no Brasil.