"OUVIR AS IMAGENS E VER OS SONS": DIGRESSÕES SOBRE COSMOESTÉTICAS
Edição: Julho-Dezembro: v. 1 n. 52 (2025) • Revista Ideação
Autor: Carla Milani Damião
Resumo:
RESUMO: Partimos de uma reflexão crítica sobre a Estética, tendo em vista perspectivas feministas e decoloniais, com destaque para o conceito de cosmoestética de Paula Fleisner e a teoria de Monique Roelofs. Esta autora propõe uma revisão da Estética moderna considerando as dimensões relacional, racial e de gênero, enquanto Fleisner elabora o conceito de “cosmoestética”, que articula materialidades relacionais com práticas artísticas e cosmologias diversas. Pretendo inserir-me nesse debate ao desenvolver a ideia de “imagem sonora”, inspirada por experiências com imagens, sons e cosmologias indígenas. A sonoridade, nesses contextos, não é secundária à imagem, mas forma com ela um limiar de indissociabilidade perceptiva. No artigo, problematizo o termo “audiovisual” e resgato a transformação do sensível a partir da técnica, destacando que, embora a reprodução técnica do som tenha alterado nossa forma de escuta, sua proposta de imagem sonora vai além dos meios tecnológicos. Essa proposta dialoga com autores comoTim Ingold, ao articular audição, visão e movimento na percepção do mundo. Assim, o texto propõe uma escuta sensível e filosófica que une estética, antropologia e modos outros de existência, especialmente os provenientes de povos originários e de epistemologias feministas.
Abstract:
This article stems from a critical reflection on Aesthetics through feminist and decolonial perspectives, highlighting Paula Fleisner’sconcept of cosmoaesthetics and Monique Roelofs’ theoretical contributions. Roelofs proposes a revision of modern Aesthetics that takes into account relational, racial, and gendered dimensions, while Fleisner develops cosmoaesthetics as an articulation of relational materialities with artistic practices and diverse cosmologies. I aim to enter this debate by developing the idea of a “sound image” inspired by experiences with images, sounds, and Indigenous cosmologies. In these contexts, sound is not secondary to image but forms with it a perceptual threshold of indissociability. In the article, I problematize the term “audiovisual” and revisit the transformation of sensibility through technology, emphasizing that although the technical reproduction of sound has altered our ways of listening, the concept of the “sound image” proposed here goes beyond technological media. This proposal engages with authors such as Tim Ingold, by articulating hearing, vision, and movement in the perception of the world. Thus, thetext advocates for a sensitive and philosophical mode of listening that brings together aesthetics, anthropology, and alternative modes of existence, specially those rooted in Indigenous knowledge systems and feminist epistemologies.
ISSN: 2359-6384
DOI: https://doi.org/10.13102/ideac.v1i52.12368
Texto Completo: https://periodicos.uefs.br/index.php/revistaideacao/article/view/12368/9965
Palavras-Chave: Imagem sonora; Estética feminista; Virada antropológica; Cosmoestética.
Revista Ideação
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