COSMOLOGIA SERTANEJA: COMENTÁRIO SOBRE O FILME SOB DITAME DE RUDE ALMAJESTO(SINAIS DE CHUVA), DE OLNEY SÃO PAULO
Edição: Julho-Dezembro: v. 1 n. 52 (2025) • Revista Ideação
Autor: Yves São Paulo e Claudio Cledson Novaes
Resumo:
Em 1976, Olney São Paulo voltou à sua cidade natal de Riachão do Jacuípe para filmar, na roça de seu irmão mais novo, aquele que talvez seja seu documentário mais pessoal. Diferente de suas outras obras documentais que utilizam o recurso de um narrador em off que tudo sabe e nos ensina, este filme acompanha uma narração sendo feita pelas próprias personagens, sertanejos que descrevem seus recursos de como prever as épocas de chuvas ao longo do ano e que conversam num diálogo sendo travado numa roda. Esta curta-metragem é inspirada numa crônica de Eurico Alves Boaventura, editada anos antes por Olney São Paulo na revista Sertão, mas traz particulares diferenças, especialmente na sua tomada de diferenciação sobre quem deveria ser o narrador. No presente artigo, busco interpretar o desenvolvimento de um pensamento sertanejo a partir de suas observações e técnicas para prever as chuvas, e como estes sinais aprendidos apontam para uma unificação do todo cosmológico. A filosofia do sertanejo descrita pelo Almajesto de Olney São Paulo como possuindo correlação entre os grandes eventos do cosmos (o movimento da Lua e das estrelas) com as pequenas transformações aqui na terra (a criação de asas das formigas e dos cupins, a criação de flores pelo mandacaru).
Abstract:
In 1976, Olney São Paulo returns to his hometown of Riachão do Jacuípe to film, on his brother’s farm, what is perhaps his most personal documentary. Unlike his other documentary works,that use an off-screen narrator who knows and teaches everything to the spectator, this film follows a narration being done by the characters themselves, country people who describe their own resources on how to predict the rainy season throughout the year. This dialogue is held in a circle in which more than one character discuss among themselves their methods. This short film is inspired by a chronicle by Eurico Alves Boaventura, published years earlier by Olney São Paulo when the latter was editor of Sertão. But it brings differences, especially in its differentiating take on who should be the narrator. In this article, I seek to interpret the development of the Sertão peoples thought based on their observations and techniques for predicting rain and how these learned signs point to a unification of the cosmological whole. The Sertão philosophy described by Olney São Paulo’s Almajesto shows the correlations between the great events of the cosmos (the movement of the moon and the stars) with the small transformations here on earth (the creation of wings by ants and termites, the creation of flowers by mandacaru).
ISSN: 2359-6384
DOI: https://doi.org/10.13102/ideac.v1i52.11477
Texto Completo: https://periodicos.uefs.br/index.php/revistaideacao/article/view/11477/9982
Palavras-Chave: Olney São Paulo; Eurico Alves Boaventura; Sertão; Cosmologia.
Revista Ideação
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